Princípios bíblicos para uma vida de abundância e plenitude

GOSPEL

Pastor Flavio Valvassoura afirma que prosperidade, na perspectiva cristã, não se resume ao acúmulo de bens, mas envolve frutificação e impacto na vida de outras pessoas

A ideia de abundância costuma ser associada a dinheiro, patrimônio, reconhecimento e influência. Na perspectiva bíblica, porém, o conceito é mais amplo e está relacionado à maneira como a pessoa vive e se relaciona com Deus. Essa é a avaliação do pastor Flavio Valvassoura, da Igreja do Nazareno Central de Campinas (INCC) e autor do livro “O Segredo da Abundância”, publicado pela Citadel Editora.

Segundo o líder religioso, Jesus apresenta a vida abundante como uma realidade que não depende exclusivamente das circunstâncias financeiras. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10) aponta, em sua avaliação, para uma existência marcada por propósito, fé e intimidade com o Senhor.

“Abundância não começa no que temos, mas no que nos tornamos em Deus”, afirma. Para ele, uma pessoa pode possuir recursos e, ainda assim, experimentar vazio, falta de paz ou ausência de propósito. Por isso, prosperidade material e vida abundante não devem ser tratadas como sinônimos.

Valvassoura utiliza a imagem da semente para explicar esse princípio. Segundo ele, oportunidades, dons, relacionamentos, tempo, recursos e sonhos podem ser compreendidos como sementes confiadas pelo Criador. Cabe ao cristão identificar esses elementos, cultivá-los e colocá-los em prática. “O mundo ensina que abundância é acumular. O Reino ensina que abundância é frutificar”, resume.

Fé e perseverança 

Entre os fundamentos para uma vida abundante, o pastor cita fé, semeadura, perseverança, gratidão, generosidade e confiança em Deus. Ele recorre à parábola registrada em Marcos 4:26-29 para destacar que existe um intervalo entre o plantio e a colheita.

Na passagem, o homem lança a semente ao solo e acompanha o desenvolvimento da plantação sem controlar todas as etapas. Para Valvassoura, a narrativa mostra que o papel do cristão é semear com fidelidade, enquanto o crescimento pertence a Deus.

“Muitas pessoas desistem porque querem colher imediatamente aquilo que acabaram de plantar, mas o Reino de Deus trabalha com processos”, explica.

Nesse sentido, a abundância, de acordo com Flavio, seria construída também por meio de atitudes cotidianas: manter a comunhão com Deus, cuidar dos relacionamentos, servir ao próximo, trabalhar com excelência, administrar os recursos recebidos e permanecer fiel mesmo quando os resultados ainda não são visíveis. “Grandes colheitas normalmente começam com pequenas sementes cultivadas todos os dias”, atesta.

O pouco também pode ser suficiente

A escassez, segundo o pastor, não significa necessariamente ausência de uma vida abundante. Ele cita exemplos bíblicos para mostrar que a confiança em Deus pode permanecer mesmo em períodos de dificuldades materiais.

Entre eles está o apóstolo Paulo, que declarou ter aprendido a viver tanto em momentos de fartura quanto de necessidade (Filipenses 4:11). Valvassoura também menciona a viúva de Sarepta, que tinha pouca farinha e azeite, e o episódio da multiplicação dos pães e peixes.

“A abundância bíblica não significa que nunca enfrentaremos escassez. Significa que a escassez nunca será maior do que a nossa Fonte”, assinala.

Para ele, mesmo em períodos de poucos recursos, o cristão pode preservar fé, esperança, paz e propósito. “Quando Deus é a minha fonte, o pouco que tenho não determina o tamanho do meu futuro”, acrescenta.

Gratidão e generosidade

Outro aspecto destacado pelo pastor é a relação entre confiança, gratidão e generosidade. A confiança, segundo ele, desloca a segurança do que está nas mãos do indivíduo para Deus. Já a gratidão ajuda a reconhecer aquilo que já foi recebido, em vez de concentrar a atenção exclusivamente no que ainda falta.

A generosidade, por sua vez, confrontaria a chamada mentalidade de escassez. “Quem vive dominado pelo medo tende a reter. Quem entende que Deus é sua fonte aprende a semear”, salienta.

Valvassoura cita 2 Coríntios 9:10, texto que apresenta Deus como aquele que fornece “semente ao que semeia e pão para alimento”. Para ele, a passagem ajuda a diferenciar aquilo que deve ser consumido daquilo que deve ser colocado novamente em circulação.

Essa semeadura, ressalta, não precisa estar limitada ao dinheiro. Tempo, conhecimento, amor, influência, oportunidades, encorajamento e recursos também podem ser utilizados para abençoar outras pessoas. “O Todo-Poderoso não nos abençoa apenas para aumentar aquilo que temos, mas para ampliar aquilo que podemos repartir”, afirma.

Prosperidade deve produzir frutos

Para avaliar se uma conquista está contribuindo para uma vida verdadeiramente abundante, o pastor propõe uma reflexão: “Se Deus aumentar aquilo que está em minhas mãos, isso aumentará apenas o meu conforto ou também aumentará o impacto da minha vida?”

Na avaliação dele, não há problema em prosperar, empreender, crescer profissionalmente ou adquirir bens. A questão está em não permitir que essas conquistas assumam o lugar de identidade e propósito.

“A prosperidade material pergunta: ‘Quanto eu tenho?’. A abundância bíblica pergunta: ‘Quanto fruto minha vida está produzindo?’”, compara Flavio.

O pastor recomenda que o cristão observe os efeitos de suas conquistas e questione se está se tornando mais generoso, grato e disponível para servir. Também sugere avaliar os impactos sobre a família, a fé e as pessoas ao redor.

“Se minhas conquistas aumentam, mas minha paz diminui; se meus recursos crescem, mas minha generosidade desaparece; se minha agenda prospera, mas minha comunhão com Deus empobrece, alguma coisa está fora do lugar”, alerta.

Para Valvassoura, a essência da abundância está na capacidade de transformar aquilo que foi recebido em frutos que alcancem outras vidas. “O verdadeiro segredo da abundância” consiste em “receber de Deus, cultivar com fé, semear com generosidade e transformar aquilo que recebemos em uma colheita que alcance outras pessoas”.

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