Preço nas alturas: Chuva em Minas encarece morango em Campo Grande

ECONOMIA

Com dificuldades na colheita e perdas provocadas pela umidade nas áreas produtoras, caixas passaram de R$ 25 para até R$ 65 em estabelecimentos da Capital. O limão e outros hortifrutigranjeiros também registram alta.

As chuvas intensas em regiões produtoras de Minas Gerais já afetam o abastecimento e os preços do morango comercializado em Campo Grande. Com menor disponibilidade da fruta e dificuldades para a colheita, hortifrútis da Capital relatam alta nos valores cobrados ao consumidor nas últimas semanas.

A pressão no preço atinge especialmente o chamado morango “cravejado”, de tamanho maior e mais procurado por confeitarias para o preparo de doces, bolos e sobremesas. Em alguns pontos de venda consultados, a caixa do produto passou de R$ 25 para R$ 65, aumento de R$ 40, equivalente a 160%.

Minas Gerais é o maior produtor de morangos do Brasil ~ Conheça Minas

Umidade afeta lavouras mineiras

Parte do morango consumido em Campo Grande é transportada de municípios do Sul de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras do país. No caso da Mape, por exemplo, o abastecimento ocorre a partir de Pouso Alegre.

Segundo comerciantes, o excesso de chuva e a alta umidade favorecem o aparecimento de fungos, comprometem a qualidade dos frutos e aumentam o risco de perdas ainda na plantação. O solo molhado também dificulta o trabalho de colheita, reduzindo a quantidade de caixas disponíveis para envio a outros estados.

O vendedor Thiago Bueno explica que o cultivo do morango exige alternância entre sol durante o dia e temperaturas mais baixas à noite. Sem esse cenário, a umidade excessiva prejudica o desenvolvimento da fruta.

“Deu uma subida por conta dos problemas que teve com a chuva. O morango precisa do sol durante o dia, e à noite pode fazer o frio. Conforme está esse tempo úmido, dá um fungo por causa da umidade; é quando tem a perda do morango”, afirmou.

Menos fruta, preço maior

Com menos morango sendo colhido e enviado aos centros de distribuição, a oferta caiu enquanto a procura se manteve. O resultado é o reajuste ao consumidor em Campo Grande. Na Mape, a caixa com quatro bandejas de morango tradicional é vendida atualmente por R$ 55. Antes do período de chuvas, o mesmo produto era comercializado entre R$ 35 e R$ 40. Considerando o valor mais alto anterior, a elevação é de R$ 15, ou 37,5%; em relação ao preço de R$ 35, o aumento chega a R$ 20, equivalente a 57,1%.

Já a caixa do morango maior, voltado principalmente à confeitaria, passou a custar R$ 65. Conforme o estabelecimento, o valor anterior era de R$ 40, o que representa reajuste de R$ 25, ou 62,5%. “Até a colheita está difícil, não está tendo muito morango, está tendo pouco. Quando tem bastante, baixa o preço; agora tem pouco e todo mundo quer. É uma época que pegou a gente de surpresa, está chovendo bastante, muita umidade”, completou Thiago.

Produção pioneira de morangos em Minas Gerais

Caixa chega a R$ 65

No DG Hortifrúti, em Campo Grande, o vendedor Amaro de Souza Filho também relatou aumento no valor de compra e venda do morango que chega de Minas Gerais. Segundo ele, a mudança nos preços ficou mais evidente a partir da semana passada. A caixa que custava R$ 25 passou a ser comercializada por R$ 65, uma diferença de R$ 40, equivalente a 160%. “Vem água demais, estraga tudo, não consegue nem colher. Aumentou o preço por causa da chuva”, resumiu o comerciante.

Além da alta, o estabelecimento passou a receber menos produto. Conforme Amaro, o volume de morangos entregue caiu de 30% a 40%, diante das perdas na produção e das dificuldades impostas pelo excesso de umidade para a retirada dos frutos das lavouras.

Outros produtos também sobem

O impacto na cadeia de hortifrutigranjeiros não se limita ao morango. No mesmo estabelecimento, o limão também apresentou valorização expressiva: o saco de 20 quilos, antes vendido por cerca de R$ 80, passou a custar R$ 250.

A diferença é de R$ 170, ou 212,5%. O comerciante também citou aumentos nos preços de cebola, batata, tomate, pimentão e repolho, produtos que podem sofrer influência de questões climáticas, custos de transporte e redução de oferta.

Minas Gerais tem papel relevante no abastecimento nacional de morango. Dados do Anuário HF 2026, da Embrapa, apontam que o estado responde por aproximadamente metade da produção brasileira estimada da fruta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *