Buscas por vestígios da Arca de Noé são retomadas

GOSPEL

Perfurações e análises de laboratório serão usadas para investigar a formação Durupınar, próxima ao Monte Ararat; pesquisadores ressaltam que ainda não há evidências científicas que comprovem ligação com o relato bíblico

Uma equipe internacional de cientistas iniciou uma nova campanha de investigação na formação Durupınar, no leste da Turquia. Com cerca de 157 metros de extensão e contornos que lembram o casco de uma embarcação, o local é estudado há décadas por sua possível associação com a Arca de Noé descrita no livro de Gênesis.

Situada no distrito de Doğubayazıt, na província de Ağrı, a formação fica próxima ao Monte Ararat. Nesta etapa, os pesquisadores realizam perfurações para retirar amostras do subsolo, que serão encaminhadas a laboratórios para análises geológicas e químicas.

A pesquisa é coordenada pelo professor Cenker Atila, do Departamento de Arqueologia da Universidade Cumhuriyet de Sivas, em parceria com a organização Noah’s Ark Scans e especialistas de outros países. Cerca de 20 cientistas e estudantes de cinco nações integram o projeto, autorizado por órgãos do governo turco.

Antes do início das sondagens, a equipe realizou levantamentos com GPS, elaborou mapas digitais em duas e três dimensões e repetiu análises utilizando radar de penetração no solo (GPR). Os dados obtidos indicaram, segundo os pesquisadores, possíveis espaços vazios abaixo da superfície. Essas áreas passaram a ser pontos prioritários para a retirada de amostras.

“Essas amostras de solo serão analisadas durante todo o inverno”, afirmou Atila, segundo o Daily Sabah. A intenção é cruzar os resultados das análises com informações obtidas por diferentes métodos para compreender a estrutura e sua origem.

Tecnologia no subsolo

O projeto prevê ainda a utilização de equipamentos capazes de investigar regiões inacessíveis aos pesquisadores. Entre eles está o Gopher, um robô desenvolvido a partir de tecnologia criada pelo engenheiro Robert Ross, da Universidade La Trobe, na Austrália.

O equipamento poderá ser utilizado em eventuais cavidades subterrâneas para produzir imagens em alta resolução e recolher materiais. A investigação também reúne técnicas como tomografia de resistividade elétrica (ERT), LiDAR, radar de penetração no solo, perfuração para obtenção de testemunhos e análises químicas.

A expectativa é integrar os dados para elaborar um modelo tridimensional da formação e compreender sua composição interna. Os testemunhos e demais amostras coletados serão submetidos a análises laboratoriais nos próximos meses.

Relação com Gênesis

A formação chamou a atenção internacional após ser identificada em fotografias aéreas, em 1959, pelo capitão turco İlhan Durupınar. Desde então, seu formato incomum alimenta pesquisas e debates sobre uma possível conexão com a narrativa bíblica do Dilúvio.

O livro de Gênesis registra que, depois que as águas baixaram, “a arca repousou sobre os montes de Ararate” (Gênesis 8.4). A proximidade geográfica entre Durupınar e o Monte Ararat contribuiu para que a área fosse associada às buscas pela embarcação mencionada nas Escrituras.

As interpretações científicas, porém, permanecem divergentes. Pesquisadores envolvidos nas investigações relacionadas à Arca destacam características que consideram relevantes, enquanto estudos anteriores apontaram que a formação pode ser resultado de processos geológicos naturais.

Até o momento, não existe comprovação científica de que Durupınar corresponda aos restos da Arca de Noé. O próprio projeto ressalta que suas pesquisas não têm como objetivo validar alegações religiosas ou históricas previamente estabelecidas, mas reunir e analisar evidências de diferentes áreas da ciência.

A equipe pretende continuar o trabalho nos próximos anos, com novas etapas previstas para 2027. Os pesquisadores afirmam que os resultados deverão ser submetidos à comunidade científica após a conclusão das análises geológicas, arqueológicas e geofísicas. Com informações News.com.au e Noah’s Ark Scans

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