Do cuidado com as pessoas às obras de 79 municípios: uma gestão que chega a cada sul-mato-grossense

POLÍTICA

Kelly é uma mãe solo que mora na região do Prosa contando como o Mais Social mudou a rotina da família, enquanto o Governo do Estado leva renda, pavimentação, saneamento e educação para a capital e o interior

Mãe solo em Campo Grande, Kelly Varandas conta como os R$ 450 do Mais Social ajudaram a reorganizar o orçamento e permitiram que permanecesse mais perto do filho. Presente nos 79 municípios, o programa recebeu R$ 875 milhões desde 2023. A atuação estadual inclui ainda obras de pavimentação e drenagem, saneamento, estradas e ampliação do ensino integral e profissionalizante na capital e no interior.

Durante muito tempo, trabalhar significava para Kelly Varandas também descobrir com quem deixaria o filho de 5 anos. Mãe solo e moradora do Danúbio Azul, na região do Prosa, em Campo Grande, ela fazia diárias e dividia os cuidados com o menino entre a mãe e outras pessoas que pudessem ajudá-la.

“Era bem difícil mesmo”, lembra.

A chegada do Mais Social mudou parte dessa rotina. Hoje, Kelly trabalha em casa como autônoma, com venda de lingerie e semijoias, e utiliza os R$ 450 mensais do programa estadual para ajudar na compra de alimentos e de outros produtos necessários à família.

“Ele me ajuda bastante na compra do mês, consigo dar conta de comprar as coisas do meu filho. Me ajudou bastante a parar um pouquinho com as diárias”, conta.

Mais do que aliviar o orçamento, diz ela, o benefício permitiu reorganizar o tempo dedicado ao filho. Sem uma rede permanente de apoio e com dificuldades para conciliar trabalho e cuidado, Kelly passou a depender menos das diárias fora de casa.

“Sem o Mais Social, eu tinha que fazer as diárias e não tinha como largar ele com ninguém. Com o benefício, consegui me organizar melhor e ter uma qualidade de vida melhor pro meu filho. E isso é graças ao governo.”

Kelly contou sua história durante uma reunião com cerca de duas mil pessoas, realizada na noite desta quinta-feira (24), em Campo Grande. Para ela, sua dificuldade não é isolada.

“Tem muita mãe que não consegue trabalhar porque não tem como largar o filho, a escola para os menorzinhos é só meio período. Como sou só eu e meu filho, geralmente não posso contar o tempo todo com pai e mãe, porque eles também trabalham. Então o benefício ajudou bastante.”

Um programa presente nos 79 municípios

O Mais Social é o principal programa estadual de transferência de renda de Mato Grosso do Sul. O benefício de R$ 450 mensais por família é creditado em cartão próprio e pode ser utilizado na compra de alimentos, gás de cozinha e produtos de limpeza e higiene. Para famílias indígenas, o atendimento ocorre por meio da entrega de cesta de alimentos.

O programa alcança os 79 municípios e, desde 2023, contabiliza R$ 875 milhões em investimentos.

Em 2023, foram R$ 228,7 milhões, com 51.055 famílias atendidas em dezembro. No ano seguinte, o investimento chegou a R$ 268,5 milhões e o programa alcançou 42.310 famílias. Em 2025, foram R$ 231,4 milhões e 42.245 famílias atendidas.

Entre janeiro e julho de 2026, outros R$ 146,4 milhões foram destinados ao Mais Social, que chegou a 48.725 famílias no período.

As mulheres representam 95% dos beneficiários — realidade que ajuda a aproximar os números de histórias como a de Kelly.

Outro dado apresentado pelo Governo do Estado aponta que, entre 2023 e 2026, mais de 28,4 mil pessoas deixaram o Mais Social após aumento de renda. Para a gestão estadual, o resultado reforça a proposta de fazer do benefício um instrumento de proteção durante a vulnerabilidade, associado à possibilidade de autonomia financeira das famílias.

O material também informa que, considerados os benefícios federais, o contingente em situação de pobreza no Estado caiu de 22,61% para 2,58% da população.

Assistência como ponto de partida

O Mais Social integra a política social do governo Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição. A meta apresentada pela gestão é erradicar a pobreza extrema em Mato Grosso do Sul até o final de um eventual próximo mandato.

“Já identificamos, com busca ativa, onde estão, quem são e como fazer”, afirmou Riedel.

Para o governador, o auxílio financeiro precisa estar associado a outras políticas capazes de permitir que as famílias aumentem sua renda.

“É dar condição pra aquela família ter respaldo na educação, na saúde, na oportunidade de trabalho, na qualificação, uma oportunidade de ser independente, de ser digno.”

Segundo os indicadores apresentados no material, entre 2023 e 2026 a parcela da população considerada pobre — com renda de até R$ 700 mensais per capita por família — passou de 21% para 17%. A pobreza extrema caiu de 2,7% para 1,6%.

O Estado também registra taxa de desemprego de 2,7%, apontada como a menor de sua história, e aparece em primeiro lugar no país em mobilidade social, indicador relacionado à possibilidade de pessoas que nascem em condições socioeconômicas desfavoráveis ampliarem sua renda ao longo da vida.

Mato Grosso do Sul aparece ainda com a sexta maior renda média do país.

Quando a política pública chega pelo asfalto

A presença do Estado na rotina da população também aparece fora dos programas de transferência de renda.

Nas Moreninhas, em Campo Grande, um pacote de quase R$ 125 milhões reúne obras de pavimentação, drenagem e novos acessos para uma região onde vivem cerca de 30 mil pessoas. Os investimentos incluem ainda uma pista de skate no padrão da Confederação Brasileira de Skate, com vestiário, dentro do programa MS Ativo.

Para quem acompanha o crescimento da região há décadas, as obras significam mudanças concretas no deslocamento.

O protético Isaías Martins dos Santos mora nas Moreninhas há mais de 30 anos. Entre as intervenções, ele destaca o novo acesso ligando as avenidas Alto da Serra e Salomão Abdala, esperado, segundo seu relato, há mais de 15 anos.

“Vai ser pra quem mora na Moreninha, um bairro muito populoso, uma coisa maravilhosa. O trânsito vai desafogar muito, vai ser o principal pra nós.”

Ao avaliar a atuação estadual no bairro, Isaías afirma: “Na verdade, é só agradecer. O Governo do Estado, hoje, o Riedel, é pra nós um carro-chefe, porque o governo tem feito por nós.”

Do bairro à região norte

A percepção sobre os investimentos estaduais também aparece no interior.

Pedro Roni, de 62 anos, mora em Coxim desde 1972 e cita as estradas, a saúde e a educação entre as áreas nas quais percebe maior presença do governo.

“Esse é o governo que eu avalio que mais deu atenção ao interior do Estado, principalmente a nossa cidade, Coxim, e a região. Por isso resolvi manifestar meu apoio ao governador Riedel pelo trabalho que ele vem desenvolvendo na região norte”, afirma.

Para ele, os investimentos ampliaram as condições oferecidas ao município.

“Avalio muito positivo o posicionamento do Governo do Estado em melhorar as estradas, a saúde, a educação. Graças ao governo, a nossa cidade tem recebido melhores condições e melhores recursos.”

A atuação nos municípios inclui ainda pavimentação, saneamento e educação. Segundo os dados apresentados, a pavimentação alcança quase 83% dos 79 municípios na média, enquanto o saneamento básico chega a 80%, com meta de universalização até 2028.

Na educação, 70% das escolas estão em tempo integral, diante de 62% anteriormente. Na rede estadual, 60% dos estudantes do ensino médio também fazem curso profissionalizante.

São políticas de naturezas diferentes, mas que encontram seu sentido quando deixam de ser apenas números.

Para Kelly, esse encontro acontece dentro de casa.

Os R$ 450 mensais não eliminam todas as dificuldades de criar um filho sozinha, mas reduziram a necessidade de sair para fazer diárias e permitiram que ela organizasse de outra maneira trabalho, orçamento e maternidade.

É nessa medida cotidiana — comprar os produtos do mês, conseguir trabalhar em casa e permanecer mais perto do filho — que uma política desenhada para alcançar os 79 municípios ganha endereço, rosto e rotina.

Fotos: Saul Schramm

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