“Apesar da intimidação, seguirei com meu dever”, diz Mendonça

POLÍTICA

Ministro afirmou que já estava ciente que seria alvo de represálias

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter se tornado alvo de “ataques e tentativas de intimidação”, mas que seguirá cumprindo seu “dever com serenidade e responsabilidade”, e que não tem “nada a temer”.

Em contato com a jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, Mendonça afirmou que já estava ciente de que receberia “represálias” quando decidiu tomar uma atitude referente às informações que recebeu da Polícia Federal (PF).

– Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim – declarou.

Na sequência, Mendonça citou o filósofo alemão Arthur Schopenhauer:

– Conforme ensina Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante. No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade – garantiu.

A fala acontece após os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes fazerem críticas e direcionarem ataques verbais ao magistrado na sessão extraordinária que analisou o pedido de investigação contra Moraes por suposta consultoria prestada a Daniel Vorcaro. Eles o acusam de conduzir o caso do Banco Master com viés político-eleitoral.

Gilmar Mendes chegou a chamar Mendonça de “boneco de campanha”, “pixuleco eleitoral”, e disparar “pode chorar” durante a sessão extraordinária. Quando o ministro exigiu limites, o decano respondeu que não respeita “quem não se dá ao respeito”.

Em nota publicada nesta quinta-feira (17), Mendonça afirmou que “jamais ameaçou quem quer que seja de execração pública”, nem usou linguagem imprópria contra colegas do tribunal.

– Tampouco transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável – acrescenta a nota.

Mendonça ainda defendeu a criação de um Código de Ética Disciplinar que norteie “a postura esperada do magistrado ao se pronunciar em qualquer ambiente, dentro e fora da Corte, inclusive no trato com os pares”.

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